Pilates na Doença Oncológica
O percurso oncológico é profundamente desafiante — para o corpo, para a mente e para a identidade da pessoa. Entre diagnósticos e tratamentos, o corpo muda, as sensações mudam e, muitas vezes, o sentido de controlo parece desaparecer.
É neste contexto que o Pilates se pode tornar muito mais do que exercício: é um espaço seguro, um ponto de estabilidade e uma forma de recuperar confiança no próprio corpo.
Porque é que o Pilates faz sentido no contexto oncológico?
A doença oncológica — e sobretudo os tratamentos como quimioterapia, radioterapia, cirurgia e terapias hormonais — produz alterações significativas no corpo: perda de massa muscular, fadiga intensa, impacto na mobilidade, alterações no equilíbrio, dor, neuropatias, limitações articulares e alterações respiratórias.
O Pilates, quando adaptado, atua exatamente nestas dimensões fundamentais da funcionalidade.
1. Reconstrução da força e estabilidade
Durante e após os tratamentos, há uma perda acelerada de massa muscular e uma diminuição da capacidade funcional.
O Pilates utiliza movimentos controlados, progressivos e de baixo impacto, permitindo:
- Uma ativação segura da musculatura profunda;
- Melhoria da força sem sobrecarga articular;
- Incremento gradual da tolerância ao esforço.
Isto reflete-se no dia a dia: levantar, subir escadas, transportar objetos ou simplesmente manter o equilíbrio volta a ser mais fácil.
2. Recuperação da mobilidade e amplitude de movimento
Cirurgias (especialmente da mama), radioterapia e longos períodos de inatividade geram retrações, rigidez e limitações articulares.
O Pilates melhora a mobilidade de forma estruturada, com ênfase em:
- Libertação suave dos tecidos;
- Expansão torácica e mobilidade costal;
- Recuperação da amplitude nos ombros, cervical e coluna;
- Movimentos fluentes que reduzem dor e sensação de “corpo preso”.
Este trabalho tem impacto direto na autonomia e na perceção de liberdade corporal.
3. Reeducação respiratória e combate à fadiga
A fadiga oncológica é um dos sintomas mais debilitantes.
A respiração do Pilates — profunda, controlada e integrada no movimento — ajuda a:
- Melhorar a oxigenação;
- Otimizar padrões respiratórios alterados;
- Reduzir a tensão muscular e a ansiedade;
- Apoiar a gestão da dor e da fadiga crónica.
Respirar melhor é recuperar energia, clareza mental e presença.
4. Correção postural e proteção articular
Com a perda de força e as alterações nos tecidos, é comum surgirem compensações posturais. O Pilates “reorganiza” o corpo:
- Alinhamento da coluna;
- Reforço da musculatura estabilizadora;
- Distribuição equilibrada de cargas;
- Prevenção de dor musculoesquelética.
Isto ajuda a criar eficiência no movimento — crucial quando a energia é mais limitada.
5. Conexão mente-corpo e redução da ansiedade
A doença oncológica fragiliza emocionalmente.
O ambiente calmo do Pilates, o foco na respiração e no controlo do movimento e a sensação de progressão geram:
- Redução da ansiedade e do stress;
- Maior consciência corporal;
- Recuperação do sentimento de controlo.
Muitas vezes, o impacto emocional positivo é tão importante quanto o físico.
Adaptação é a palavra-chave
Não existe “um” Pilates para pessoas com doença oncológica.
Há sim um Pilates adaptado à história clínica, ao tipo de cancro, tratamento, cirurgias, limitações e energia do dia de cada um.
A sessão pode incluir:
- Exercícios no solo, equipamentos ou versões modificadas;
- Intensidade variável consoante a fadiga;
- Precauções específicas (linfedema, cicatrizes, neuropatias, osteoporose induzida por tratamentos…);
- Pausas frequentes e monitorização de sintomas.
O objetivo nunca é “fazer mais”, mas fazer o que é seguro, útil e respeita o corpo naquele momento.
Mais do que exercício: é um espaço de recuperação global
Cada pessoa vive a doença oncológica à sua maneira.
O Pilates oferece um lugar onde…
…o corpo é ouvido e respeitado.
…o movimento devolve segurança.
…a progressão, mesmo que lenta, devolve confiança.
…cada passo — pequeno ou grande — é uma vitória real.
Se está a passar por um tratamento oncológico — ou a recuperar dele — não precisa percorrer este caminho sozinho(a).
As nossas sessões de Pilates são totalmente adaptadas ao seu estado físico, à sua energia do dia e ao seu historial clínico.
Criamos um espaço seguro, calmo e acolhedor, onde o movimento é respeitado e cada progresso conta.
| Este artigo não constitui aconselhamento médico, diagnóstico ou tratamento. As informações aqui apresentadas não substituem a consulta com um profissional de saúde qualificado.
