Mobilidade vs Flexibilidade: Qual a Diferença e Porque Precisa das Duas?
São dois conceitos muitas vezes usados como sinónimos, mas mobilidade e flexibilidade não são a mesma coisa. E perceber esta diferença pode fazer toda a diferença nos seus treinos, na prevenção de lesões e na forma como se movimenta no dia a dia.
O que é a flexibilidade?
A flexibilidade é a capacidade de um músculo ou grupo muscular se alongar. Refere-se ao grau de extensão que os tecidos moles (músculos, tendões, ligamentos) conseguem atingir quando aplicamos uma força externa. É o que acontece, por exemplo, quando tenta tocar com as mãos no chão com as pernas esticadas: quanto mais os seus isquiotibiais (parte posterior da coxa) se alongarem, maior será a sua flexibilidade.
Este tipo de movimento é muitas vezes passivo, ou seja, depende de uma força externa — como a gravidade, a ajuda de alguém ou o peso do próprio corpo — para atingir a amplitude desejada.
O que é a mobilidade?
Já a mobilidade diz respeito à capacidade de mover uma articulação ao longo da sua amplitude de movimento de forma ativa e controlada. Não depende apenas da flexibilidade dos músculos, mas também da estabilidade, coordenação neuromuscular e controlo motor.
Um exemplo simples: fazer um agachamento profundo, mantendo o tronco alinhado e os calcanhares no chão. Aqui, está a trabalhar a mobilidade de várias articulações — tornozelos, joelhos, ancas — com força e controlo.
Qual a relação entre ambas?
A flexibilidade é um dos componentes da mobilidade, mas não é o único. Ter músculos longos e elásticos pode ajudar a alcançar maior amplitude de movimento, mas sem força ou controlo, essa amplitude não é funcional.
Ou seja, pode ser flexível sem ter boa mobilidade — e pode ter boa mobilidade sem ser muito flexível.
Exemplo 1: Flexível, mas com mobilidade limitada
Imagine uma bailarina que, deitada no chão, consegue fazer espargata com ajuda de um instrutor ou de uma fita elástica. Tem boa flexibilidade, mas se não conseguir repetir o movimento de forma ativa, sem ajuda, falta-lhe mobilidade.
Exemplo 2: Boa mobilidade, com flexibilidade limitada
Agora pense num atleta de CrossFit que não consegue tocar com as mãos no chão com as pernas esticadas (flexibilidade limitada dos isquiotibiais), mas faz um agachamento profundo com controlo total. Aqui, apesar da flexibilidade não ser extrema, as articulações movimentam-se bem e os músculos têm força e coordenação para controlar o movimento.
Porque precisa das duas?
Flexibilidade e mobilidade são essenciais para se mover com eficiência, prevenir lesões e melhorar o desempenho físico.
A flexibilidade ajuda a reduzir tensões musculares e melhora o relaxamento.
A mobilidade permite movimentos mais amplos, estáveis e coordenados.
Negligenciar uma ou outra pode comprometer a sua performance e bem-estar. Por isso, idealmente, o seu treino deve incluir estratégias para desenvolver ambas — através de alongamentos, exercícios de mobilidade articular, treino de força e controlo motor.