Inflamação: O Preço do Overtraining
Treinar mais nem sempre significa treinar melhor.
Num contexto em que o esforço é muitas vezes valorizado acima da escuta do corpo, o overtraining tornou-se mais comum.
Quando o corpo é exposto a estímulos intensos sem recuperação adequada, a resposta não é progresso. É inflamação.
Inflamação: uma resposta normal… até deixar de ser
A inflamação faz parte do processo de adaptação ao treino. Cada sessão cria microlesões que, quando acompanhadas de descanso, levam à recuperação e ao fortalecimento do corpo.
O problema surge quando o estímulo é constante e a recuperação insuficiente — a inflamação deixa de ser pontual e torna-se crónica, afetando não só o desempenho físico, mas também a saúde geral.
O que é, afinal, overtraining?
O overtraining não acontece apenas em atletas de alta competição.
Pode surgir em qualquer pessoa que treina com intensidade elevada, muita frequência e pouca recuperação — muitas vezes motivada pela ideia de que “parar é perder”.
Este estado caracteriza-se por um desequilíbrio entre carga de treino, descanso e capacidade de adaptação do corpo.
Sinais de que o corpo está inflamado
Nem sempre a inflamação se manifesta como dor aguda. Muitas vezes, os sinais são subtis e facilmente ignorados: fadiga persistente, perda de rendimento, dores musculares que não desaparecem, alterações no sono, maior irritabilidade e dificuldade em recuperar entre sessões.
O sistema imunitário também pode ser afetado, aumentando a susceptibilidade a infeções e inflamação generalizada.
O papel do stress e do sistema nervoso
O treino intenso não atua isoladamente. Quando somado ao stress diário, noites mal dormidas e alimentação desregulada, o impacto no organismo multiplica-se.
O sistema nervoso permanece em estado de alerta, com níveis elevados de cortisol, dificultando a recuperação e perpetuando o estado inflamatório.
O corpo entra num ciclo em que nunca chega verdadeiramente a recuperar.
Quando o treino deixa de ser saudável
Treinar deveria aumentar energia, não drená-la. Quando o exercício passa a gerar mais cansaço do que vitalidade, algo precisa de ser ajustado.
O corpo não responde bem à pressão contínua — responde à estratégia.
Treinar para reduzir inflamação, não para a criar
O movimento certo pode ser uma poderosa ferramenta anti-inflamatória.
Treinos bem estruturados, com foco em força, mobilidade, controlo e recuperação ativa ajudam a regular o sistema nervoso e a reduzir a inflamação sistémica.
A alternância entre o estímulo certo e descanso é o que permite evolução sustentável.
A importância do acompanhamento
Reconhecer o overtraining nem sempre é fácil — sobretudo quando o cansaço é normalizado. O acompanhamento profissional permite ajustar cargas, respeitar fases de recuperação e evitar que o treino se transforme num fator de risco.
No Welvy, o movimento é pensado como parte de uma estratégia integrada de saúde, onde o treino respeita o corpo, o contexto e o momento de cada pessoa.
Porque o progresso constrói-se com equilíbrio, não com excesso.
