Canela: Um Aliado no Controlo da Glicemia?
A canela está há décadas sob investigação pelos seus potenciais efeitos na saúde metabólica. Para quem vive com Diabetes tipo 2 – ou para quem procura prevenir esse diagnóstico –, a canela pode surgir como um complemento interessante. Mas o que sabemos verdadeiramente? E como a incorporar de forma segura?
O que mudou no metabolismo?
Na diabetes tipo 2 e nos estado pré-diabeticos, há três fatores críticos: resistência à insulina, glicémias de jejum elevadas ou picos pós-prandiais acentuados (subidas rápidas e temporárias na glicose após uma refeição, causadas pela absorção de carboidratos).
A canela contém compostos bioactivos – como polifenóis e cinamaldeído – que, segundo evidência laboratorial e alguns ensaios clínicos, podem melhorar a sensibilidade à insulina, reduzir a absorção de glicose ou mesmo imitarem em parte o efeito da insulina.1
O que dizem os estudos?
- Uma meta-análise de 24 ensaios clínicos concluiu que, em pessoas com diabetes tipo 2, a suplementação de canela reduziu a glicemia em jejum e a hemoglobina glicada.2
- Outro estudo demonstrou que doses entre 120 mg/d a 6 g/d por 4 a 18 semanas reduziram a glicemia em jejum, colesterol total, LDL e triglicéridos.3
- No entanto, revisões mais cuidadosas como a da Cochrane Collaboration alertam para a evidência inconsistente e de qualidade variável: pode haver benefícios, mas não está ainda provado como tratamento isolado da diabetes.4
Como poderá funcionar?
Os mecanismos propostos incluem:
- Melhoria da sinalização da insulina e aumento da expressão de GLUT4 (transportador de glicose) nas células musculares.5
- Inibição de enzimas digestivas (α-glicosidase) que retardam a subida da glicemia após as refeições.5
- Efeito anti-inflamatório e antioxidante que pode minimizar danos associados à disfunção metabólica.6
Como usar e o que ter em conta
Na prática, uma colher-de-chá (≈ 1 a 2 g) por dia de canela em pó (preferencialmente do Canela do Ceilão (Cinnamomum verum), com menor teor de cumarina) parece segura quando misturada em alimentos.8
Importante: a canela não substitui tratamento médico nem as boas práticas de nutrição, exercício e medicação. É um complemento, não uma “cura”.
Pessoas que tomem medicação para renina/pressão/anti-coagulantes, devem consultar o profissional de saúde antes de usar doses elevadas. Alguns estudos apontam para interações ou efeitos indesejados em doses altas.9
Para quem pode fazer diferença?
Pessoas com glicemia alterada ou pré-diabetes podem beneficiar de pequenas integrações de canela como parte de um estilo de vida saudável.9
Quem já tem diabetes tipo 2 pode observar melhorias modestas nos marcadores glicémicos e lipídicos, apesar de não haver garantia de efeito.
Importa realçar: os efeitos variam grandemente entre indivíduos — fatores como peso, medicação, tipo de canela ou duração do uso afetam os resultados.
Algumas dicas práticas para o dia-a-dia:
- Polvilhe canela no iogurte natural ou no café da manhã.
- Misture-a em batidos ou papas de aveia em vez de açúcar ou adoçantes.
- Combine sempre com outros hábitos saudáveis: treino regular, hidratação adequada, sono de qualidade e alimentação rica em fibra.
- Prefira canela do Ceilão (Cinnamomum verum) em vez de Cassia (Cinnamomum cassia) para reduzir o consumo de cumarina (substância tóxica para o fígado quando consumida em excesso, podendo causar danos hepáticos ou interferir com certos medicamentos).
A canela ocupa um lugar interessante no universo dos alimentos funcionais – sobretudo para apoiar a saúde metabólica em casos de pré-diabetes ou diabetes tipo 2. Embora não substitua o tratamento médico, as evidências sugerem benefícios reais, desde que integrada num estilo de vida saudável.
No Welvy, consideramos cada alimento como parte de uma equação maior: treino inteligente, nutrição adequada e acompanhamento profissional. A canela pode fazer parte dessa equação, mas como complemento, nunca como substituto.
| Este artigo não constitui aconselhamento médico, diagnóstico ou tratamento. As informações aqui apresentadas não substituem a consulta com um profissional de saúde qualificado.
- https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20513336 – “Cinnamon: potential role in the prevention of insulin resistance, metabolic syndrome, and type 2 diabetes – PubMed” ↩︎
- https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37818728 – “The effect of cinnamon supplementation on glycemic control in patients with type 2 diabetes mellitus: An updated systematic review and dose-response meta-analysis of randomized controlled trials – PubMed” ↩︎
- https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24019277 – “Cinnamon use in type 2 diabetes: an updated systematic review and meta-analysis – PubMed” ↩︎
- https://www.cochrane.org/evidence/CD007170_cinnamon-diabetes-mellitus – “Cinnamon for diabetes mellitus | Cochrane” ↩︎
- https://juniperpublishers.com/jojcs/pdf/JOJCS.MS.ID.555913.pdf “The Effect of Cinnamon Consumption on Reducing Blood Sugar Levels in Diabetes Mellitus Patients: An Experimental Study” ↩︎
- https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35807953/ “Cinnamon as a Complementary Therapeutic Approach for Dysglycemia and Dyslipidemia Control in Type 2 Diabetes Mellitus and Its Molecular Mechanism of Action: A Review – PubMed” ↩︎
- https://www.healthline.com/nutrition/cinnamon-and-diabetes – “How Cinnamon Lowers Blood Sugar and Fights Diabetes” ↩︎
- https://nypost.com/2025/04/27/health/popular-spice-could-interfere-with-prescription-drugs-study/ – “Beware this popular spice that could interfere with prescription medications: ‘Can be hazardous'” ↩︎
- https://www.endocrine.org/news-and-advocacy/news-room/2020/cinnamon-may-improve-blood-sugar-control-in-people-with-prediabetes – “Cinnamon may improve blood sugar control in people with prediabetes | Endocrine Society” ↩︎
